ZOOM HB: Ana Catarina Teles

Normalmente, os fotógrafos de surfe têm um aspecto em comum: a paixão pelo surfe surge e depois é aliada com a fotografia. Mas para Ana Catarina Teles, a via foi inversa. A fotografia veio antes, para depois a paixão pelo surfe ser consolidada. Moradora do Rio de Janeiro, um dos berços culturais da cultura do esporte no Brasil, Ana vai adiante ao explicar como começou a fotografar.

“Entrei em meu primeiro curso de fotografia apenas para dominar a câmera e melhorar minhas fotos em viagens. Tomei gosto e fui me aperfeiçoando. Depois de algum tempo, fiz um workshop sobre fotografia de surfe e notei que era aquilo que eu queria: estar na praia, em um dia de sol, clicando e vivendo de perto a adrenalina do surfe. De lá pra cá, posso dizer que em 90% das minhas imagens existe água”, comenta.

Apesar de o interesse pelo surfe ter se consolidado mais tarde, o esporte sempre atraiu o interesse da fotógrafa. Não somente pelo desempenho do esporte, que já garante fotos incríveis, mas pela ligação com a água. “Muitas vezes você chega na praia e o mar dá aquele banho de água fria e está insurfável. Passei a perceber as inúmeras possibilidades que poderia criar para jamais depender do mar e de algum surfista. Dentro dessas possibilidades, descobri a água não como meio, mas como protagonista das minhas fotos. Brincando com as configurações da câmera, cheguei numa série minha que chamei de “Aquapainting”: pintar com a água, seja congelando um momento ou borrando”.

E a rotina de Ana demonstra sua paixão pela praia. Para ela, é normal madrugar, pegar o equipamento e ir pra praia em busca da melhor fotografia. Os benefícios das primeiras horas da manhã são conhecidos por quem surfa, mas já pensou em como isso também pode ajudar no trabalho de quem capta as imagens?

Então pense em encarar a praia de Ipanema com os olhos de Ana Catarina: “Ipanema é muito plástico! Naturalmente bonita, parece que a foto foi feita em estúdio, principalmente na primeira luz do dia, que a luz entra num ângulo perfeito e preenche todos os espaços da foto”. Além da tradicional praia carioca, Ana aponta o Arraial do Cabo e a Guarda do Embaú como seus locais favoritos. “Além de amar a boca do rio, foi o primeiro lugar em que fotografei com meu próprio equipamento”.

As fotografias aquáticas de Ana Catarina são únicas, daquelas que todos surfista sempre quis para enquadrar. E Ana tem um jeito curioso para explicar como encara seu trabalho. “Nós temos acesso a um lugar diferenciado, assistimos de camarote o que acontece no mar e invertemos totalmente o “ângulo natural” das coisas, que seria na direção da areia para o mar. A gente guarda aquele momento e torna esse universo acessível pra essas pessoas, mesmo que através de imagens”.

Outro foco de Ana é trabalhar com áreas pouco exploradas na fotografia, seja dentro ou fora do surfe. “Quando entendi e percebi a minha fotografia como uma ferramenta, um facilitador, minha fotografia fluiu diferente. Gosto de trabalhar com situações desconhecidas ou pouco exploradas. Exemplo disso é minha dedicação em torno do surf adaptado, ou um amor incondicional pelo surf feminino”.

 

Para conhecer um pouco melhor quem é Ana Catarina Teles e seu trabalho, pedimos para ela separar algumas imagens que definam aspectos da sua personalidade e do seu trabalho. Confira:

Descreva você mesma

Foto: Anna Verônica

Sua melhor foto


Um momento de adrenalina

Um lugar

O motivo que fez você virar fotógrafa

Foto: Victor Ronccaly