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Da Rússia ao Alasca, uma surftrip com Chantalla Furlanetto

Uma surftrip é a oportunidade que todo surfista tem para relaxar, evoluir e conhecer uma rotina diferente da sua por algum tempo. Praia, sol, calor, altas ondas, sombra e água fresca… Horas ininterruptas na água, sem preocupações. Uma chance de expandir os próprios horizontes. Mas nem sempre com esses elementos. Na mais recente viagem de Chantalla Furlanetto, a praia e as ondas estavam presentes. Mas acompanhadas de temperaturas mínimas e, ocasionalmente, de alguns pedaços de gelo na água. Achou diferente? Então acompanhe a integrante do nosso time em busca das melhores ondas da Rússia e do Alasca.

Os destinos da catarinense foram a península de Kamtchatka, localizada no extremo leste da Rússia, e as Ilhas Aleutas, no Alasca. O objetivo, em ambos os lugares, era o mesmo: procurar as melhores ondas e explorar locais praticamente intocados pelo homem. E para atingir isso, o modo de locomoção seria um pouco diferente do usual. “Foram dois meses morando em um veleiro. Fizemos a travessia de Kamtchatka para o Alasca, em um trecho que demorou dez dias e em que não vimos terra firme”, comenta a surfista. 

A expectativa por surfar ondas perfeitas e sem crowd sempre acompanha uma surftrip. E para Chantalla, a parte de surfar sozinha se confirmou. Sem uma cultura local do esporte consolidada nas regiões, a crowd não foi um fator para se preocupar. Mas o clima, como sempre, foi um aspecto crucial para as ondas. “Em Kamtchatka tem ondas bem fortes, pegamos alguns dias de boas sessões no inside. No Alasca, vimos vários locais com muito potencial, em que sabemos que quebram ondas perfeitas e tubulares. Mas dizem que é no inverno que caem as ondas grandes, e nós fomos no verão. Pegamos ondas menores, mas no inverno seria completamente extremo surfar nessas regiões”.

O veleiro permitiu a chance de explorar locais únicos e fazer uma viagem completamente diferente do que qualquer um poderia pensar. Mas apesar disso, também se tornou um entrave na hora de surfar as melhores ondas. “O certo quando você vê uma tempestade é esperar ela passar para surfar no lugar. Só que quando víamos uma tempestade, tínhamos que fugir. Com ondas maiores na costa, tinha o risco do veleiro bater nas pedras. Chegamos a presenciar ventos de 80 a 100 km/h, mas tínhamos que nos deslocar para outro lugar mais calmo para nossa segurança. O veleiro foi uma ótima alternativa, mas nos colocou essa barreira”, destaca.

Mas Chantalla faz questão de falar que a planejada surftrip foi feita de muito mais do que surfe. Além de visitar locais inexplorados e com uma natureza selvagem, onde a brasileira encontrou orcas, baleias, golfinhos, leões-marinhos e até ursos, a viagem também foi uma chance de se desafiar individualmente. “Gosto de me sentir desafiada, de sentir a adrenalina. Antes da viagem, eu morria de medo pois não achava informações sobre os locais. Também me assustava com a travessia, por saber que passaríamos dias sem ver terra, e colhi informações sobre o veleiro e até sobre como me comportar caso encontrasse um urso (hahahaha). Mas todo o receio sumiu depois de cada momento incrível que vivi nesses dois meses. As melhores coisas da vida estão fora da nossa zona de conforto. Eu voltei outra pessoa”.